José Alves

Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão

«Pneumonia – a vacinação dos adultos também deve ser uma prioridade»

LER O ARTIGO+

Temos consciência de que a Pneumonia mata e a sua prevenção está, inclusivamente, recomendada pela DGS. Se assim é, porque morrem, todos os dias, 16 adultos com Pneumonia?

Em Portugal, por falta de informação, prescrição ou motivação, são poucos os que se vacinam na idade adulta. Se nos preocupamos com as crianças, se estamos atentos às vacinas que têm de cumprir, dentro e fora do PNV, porque não temos o mesmo cuidado com os adultos?

É tempo de mudar mentalidades e, a par do que acontece no início da vida, apostar na prevenção dos adultos. Transformar a vacinação numa prioridade, também, para eles. As diretrizes europeias para as estratégias na área da Saúde são claras e cada vez mais voltadas para a prevenção, não para o tratamento.

Apesar de ser transversal – afeta todas as idades, e qualquer classe social, a Pneumonia é particularmente incidente entre os mais novos e os mais idosos. Crianças no início da vida e adultos a partir dos 65 anos, que com o passar dos anos se tornam mais vulneráveis a bactérias como o pneumococo, estão entre os mais vulneráveis à Pneumonia, tal como pessoas que, a partir dos 50 anos, sofram de com co-morbilidades como Diabetes, Doença Cardíaca Crónica, Asma ou DPOC.

A vacinação antipneumocócica é a melhor forma de a prevenir e está particularmente indicada entre estes grupos. Se, para todas as crianças, já está em PNV, no caso dos adultos existe, desde junho de 2015, uma norma da Direção Geral da Saúde (DGS), que recomenda a vacinação a todas as pessoas com mais de 18 anos em risco, nomeadamente diabéticos, pessoas com asma, DPOC ou doença cardíaca crónica.

A vacinação contra a Pneumonia pode ser feita em qualquer altura do ano e a sua prevenção pode significar a diferença entre a vida e a morte. Está indicada, na União Europeia, para todas as pessoas a partir das seis semanas de vida. Previne, para além da Pneumonia, formas graves da infeção, como a Meningite e a Septicémia, e outras menos graves como a Otite Média Aguda e a Sinusite.

Da prevenção da Pneumonia fazem, também, parte a vacinação anti-gripal, que deve ser tomada anualmente, a cessação tabágica, o consumo moderado de álcool, a higiene oral e o controlo de doenças associadas que potenciem o aparecimento de pneumonias.

-

Isabel Saraiva

Economista, Presidente da European Lung Foundation, Vice-Presidente da Respira e fundadora do MOVA

«A principal tarefa da saúde pública é a de assinalar os riscos para a saúde das populações e tentar preveni-los»

LER O ARTIGO+

As doenças respiratórias (DR) são uma das principais causas de mortalidade. De acordo com os números do Eurostat publicados em 2015, na União Europeia 13% de todas as mortes estão relacionadas com aquelas patologias e, dentro destas, a pneumonia é responsável por 16,3% de todas as mortes por DR.

A mortalidade das DR reparte-se desigualmente pelos diversos Estados membros da União Europeia e pelas diferentes categorias de DR. Nesta matéria a posição de Portugal no ranking da mortalidade por DR situa-se a meio da tabela, exceto relativamente à pneumonia, que no nosso país representa o valor mais elevado: 38,6%.
Existe hoje múltipla informação sobre a pneumonia e sobre quais os fatores de risco, tais como a existência de enfisema pulmonar (tão frequente nas pessoas com DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), ou condições pessoais específicas (crianças, adultos com mais de 65 anos, fumadores), onde a recomendação de vacinação é inequívoca.

Existe, desde junho de 2015, uma norma da Direção Geral da Saúde (DGS), que recomenda a vacinação a todos os adultos (pessoas com mais de 18 anos) pertencentes aos grupos de risco, nomeadamente pessoas com DPOC, asma, doença cardíaca crónica ou diabetes. Esta norma surge no seguimento de recomendações de entidades como a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, que aconselha a que os principais grupos de risco sejam imunizados com a vacina antipneumocócica.

Se se conjugar a informação disponível e acessível (basta digitar pneumonia no Google e aparecem mais de dois milhões de resultados) com a mais elevada percentagem de morte por pneumonia na Europa, pode-se e deve-se concluir que Portugal tem de fazer um esforço para alterar esta situação.

Refere-se propositadamente Portugal porque a enorme dimensão da tarefa aconselha a que a mesma seja desempenhada pelo Governo e pela sociedade civil, através das suas organizações sejam elas Sociedades Científicas, Associações Profissionais ou Associações de Doentes, como é o caso da Respira – Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e Outras Doenças Respiratórias Crónicas.

A participação da Respira em projetos como o Esquadrão Pneumonia ou em Movimentos como o MOVA traduz aquele entendimento e dá corpo às suas disposições estatutárias, que estabelecem como dever estimular e participar, através de campanhas de sensibilização, o combate às doenças respiratórias crónicas.

-